10 de abril de 2024
Minha mãe, a professora Cecília
Minha mãe, a professora Cecília

Começo 2024 muito feliz pela realização do documentário “Professora Cecília, uma história de inclusão em Itapetininga “, de autoria do Beto Hungria.

O projeto contará a história da professora Cecília Pimentel Vasques Prestes Nogueira, minha mãe, uma pioneira no trabalho de educação e inclusão de crianças com necessidades especiais em Itapetininga. Uma história que começou na década de 1960 e cujos frutos melhoraram a vida de muita gente até os dias de hoje.

Ela foi uma pioneira no trabalho de educação e inclusão social de crianças surdas. Seu trabalho ficou conhecido em todo o Brasil por uma reportagem do Jornal Nacional em homenagem ao dia do professor, no ano de 1984. Na ocasião, a reportagem também mostrou uma aluna da minha mãe que foi a protagonista da peça de teatro “O Milagre de Annie Sullivan”, encenada em Itapetininga.

Reportagem do Jornal Nacional sobre o trabalho da professora Cecília

Professora Margha Bloes / Foto Revista Família Cristã
Professora Margha Bloes / Foto Revista Família Cristã

A peça “O Milagre de Annie Sullivan” aconteceu graças ao empenho e talento de outra professora , a Margha Bloes, uma grande amiga da minha mãe. Ela fez algo incrível: Itapetininga não tinha teatro… a peça foi encenada na Igreja das Estrelas, trazendo grande público de toda a região.

Minha mãe encontrou na arte um recurso para a promover seus alunos. Ela descobriu que eles compensavam a ausência de ouvir desenvolvendo mais a visão. Eram pessoas com uma sensibilidade extraordinária, conseguindo ter uma observação visual mais detalhada, com potencial fantástico para a pintura, por exemplo . Seu empenho em ensinar as técnicas da pintura para eles deu grandes frutos, chegando a ter quadros premiados na Bienal de Kanagawa – Exposição de Artes das Crianças do Mundo , no Japão.

Maria José Ruivo, a aluna protagonista da peça “O Milagre de Annie Sullivan” / Foto Revista Família Cristã
Maria José Ruivo, a aluna protagonista da peça “O Milagre de Annie Sullivan” / Foto Revista Família Cristã

Sua classe na Escola Estadual Fernando Prestes de Albuquerque foi a primeira a atender na região. A classe era para educação de crianças que não ouviam. No entanto, muitas famílias levavam até lá os filhos que consideravam surdos, mas eles apresentavam outros tipos de necessidades especiais, não eram surdos. Minha mãe ficava penalizada em não poder atender essas crianças, que voltavam pra casa e não tinham nenhuma perspectiva de futuro para suas vidas.

Ela tinha um amor muito grande no coração e muita compaixão pelo próximo. Precisava fazer algo por essas crianças. E fez. Foi para São Paulo, conheceu o trabalho da APAE e, juntamente com meu pai, conseguiu um grande apoio das pessoas da cidade para fundar a APAE de Itapetininga no ano de 1972. Atualmente a APAE de Itapetininga é uma entidade exemplar, que atende mais de 200 crianças com necessidades especiais.

Professora Cecília e alunos, na Escola Estadual Coronel Fernando Prestes / Foto Revista Família Cristã
Professora Cecília e alunos, na Escola Estadual Coronel Fernando Prestes / Foto Revista Família Cristã

E todo esse trabalho que ela realizou aconteceu numa época na qual nem se falava em INCLUSÃO.

O resgate da história da minha mãe chegou em boa hora: é uma oportunidade para olhar melhor e com empatia as pessoas que são diferentes, com seus talentos e habilidades. Nem melhores, nem piores, apenas pessoas diferentes da gente.

Por Edmundo Vasques Nogueira

Edmundo Vasques Nogueira é um contador de histórias do dia a dia e jornalista formado pela Faculdade de Comunicação Social Cásper Líbero. Filho de Edmundo Prestes Nogueira, jornalista e escritor, e de Cecília Pimentel Vasques Prestes Nogueira, professora de crianças portadoras de necessidades especiais. É pai do Augusto, do Gabriel, da Raísa, da Laura e avô da Manuela.

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23 comentários em “PROFESSORA CECÍLIA, UMA HISTÓRIA DE AMOR E COMPAIXÃO”
    1. Minha mãe, que dava aulas de português e literatura em Guapiara, fez várias viagens com os alunos para assistir à peça O Milagre de Annie Sulivan, na Igreja das Estrelas, onde, depois o Padre José Pássaro, primo do meu pai também foi pároco. A professora Cecília e a Marcha fizeram um trabalho extraordinário!

  1. 2024 trazendo boas noticias . Uma história lenda . D. Cecília e seu Edmundo , com.seu sorrisão, tocarmos a vida de muitas pessoas e fizeram a diferença para a cidade de itapetininga

        1. Oi Edi!
          Puxa, que belíssima homenagem à sua mãe. Eu me sinto emocionado ao ler seu texto e assistir à reportagem da época.
          Lembro-me com muito carinho das vezes que fui à casa de seus pais. Esta vida me deu o privilégio de conhecer pessoas muito, muito especiais, como seu pai e a Sra. Cecília.
          Desejo muito sucesso no documentário e no projeto deste seu blog que, aliás, está ótimo.
          Parabéns, meu querido amigo. Forte e caloroso abraço

          1. Gláucio, meu querido amigo/irmão de tantas histórias ! Que bom receber sua mensagem, saudade daquele tempo tão bom ! Da mesma forma tive o privilégio de conviver com você e a sua família, muitas lembranças boas que ficam para sempre com a gente. Um forte abraço !!

  2. Meu eterno e querido professor na Faculdade de Comunicação Social -FKB, quanto aprendi e quanto sou GRATA pelos seus ensinamentos. Professor que se tornou um amigo que terei para a vida! Parabéns por sua iniciativa e por poder nos proporcionar um pouco da história de inclusão que hoje é tão difundida no mundo! Que benção é a APAE de Itapetininga! Sucesso meu amigo!
    Abraço

  3. Tive o prazer de conhecer o trabalho desta professora incrível, fiz estágio com ela durante meus estudos no magistério, aliás era o estágio preferido.
    Seus exemplos, a luta pela inclusão e o amor com que realizava seu trabalho, certamente tiveram muita influência na minha trajetória profissional.

  4. Meu Mestre querido!!! Que espetáculo de trabalho! História linda da sua Mãe que deve ser conhecida por todos! Que exemplo de amor! Parabéns pela iniciativa!Abraços

  5. Parabéns, meu amigo! Lembra o filme que fizemos com o Flávio Brito e outros colegas do Dep. de História da USP? O Flavião me disse que não tem mais o filme. Por ventura, você teria ficado com uma cópia? Vamos articular mais algum projeto, futuramente, mano!
    Abração!

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