14 de julho de 2024

Vou contar de forma resumida uma história que aconteceu com a minha filha Laura, que hoje está com 15 anos.

Quando ela cursava a segunda série de uma escola particular aqui em Itapetininga, fui chamado na diretoria.

“Edmundo, a Laura pagou dois reais para um coleguinha tomar lanche com ela” disse a coordenadora pedagógica,  para minha surpresa.

A Laura vinha de outra escola e as meninas da classe não queriam brincar e tomar lanche com ela.

Pra falar a verdade eu até gostei da história dos dois reais, ela tinha 6 anos e não tinha nenhuma noção moral como os adultos têm com relação ao dinheiro. Eu gostei porque ela teve iniciativa e resolveu uma situação.

Eu e minha filha Laura

Mas o triste dessa história é que ela não foi INCLUIDA no grupo, sentiu-se REJEITADA. Faltou pra Laura o sentimento de “PERTENCIMENTO”  e por conta disso ela precisou de terapia para tentar digerir essa situação. E vejam só, a Laura é branca, magra, bonita, não usa óculos e não é portadora de nenhuma deficiência……

Vejo que falar de INCLUSÂO também é falar de “PERTENCIMENTO”. E quero destacar que essa questão não diz respeito apenas às pessoas consideradas deficientes, mas a todos nós.

Conversei com o Psicólogo Marcelo Henrique Machado , uma conversa muito boa que trouxe informações para muita reflexão sobre esse tema.

“Não há ser humano sem pertencimento, não pertencer é não se sentir vivo, é cair numa angustia profunda de solidão “ diz Marcelo. Forte né? Acredito que essa frase ilustra muito o que pode passar uma pessoa que se sente rejeitada por aquele grupo que ela quer participar e considera tão importante para sua vida. Dá pra ter uma ideia do vazio de solidão que pode ser a vida de uma pessoa que não tenha o sentimento de pertencimento.

A partir daí o Marcelo alerta para o seguinte ponto : sendo tão importante o sentimento de pertencimento, muita gente vai fazer de tudo para “adaptar-se” ao grupo que considera importante , ou seja, vai buscar mudar o que ela é para poder pertencer. E ai que complica tudo, a pessoa acaba buscando ser o que não é , deixa de ser o que ela é de verdade para agradar os outros e sentir-se incluída em algum grupo.

Mas o mais importante para o Marcelo, seja no mundo real ou digital, é “ter a ousadia de se colocar nas relações no mundo a partir das nossas diferenças, aprender a respeitar e admirar as diferenças , acolher a minha diferença e acolher  a diferença do próximo” .

Gostei muito disso, Marcelo. A gente tem que começar aceitando a gente mesmo, entendendo e acolhendo as nossas diferenças, isso vem antes de qualquer relação com outras pessoas. Primeiro gostar e validar quem a gente é, ou seja, primeiro pertencer a si mesmo. Não adianta fugir disso, só assim vamos aceitar e acolher a diferença dos outros.

Por Edmundo Vasques Nogueira

Edmundo Vasques Nogueira é um contador de histórias do dia a dia e jornalista formado pela Faculdade de Comunicação Social Cásper Líbero. Filho de Edmundo Prestes Nogueira, jornalista e escritor, e de Cecília Pimentel Vasques Prestes Nogueira, professora de crianças portadoras de necessidades especiais. É pai do Augusto, do Gabriel, da Raísa, da Laura e avô da Manuela.

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